Laudo de porta-palete: o que a NBR 17150 exige e com que frequência inspecionar
Estrutura porta-palete carregada guarda uma quantidade enorme de energia potencial. Quando ela colapsa, o efeito é em cadeia e costuma atingir quem estava operando embaixo. A norma que trata da inspeção dessas estruturas mudou em 2024 — e, diferente do que muita empresa imagina, ela não pede um laudo único: pede inspeção periódica.
A norma mudou: a NBR 15524 foi substituída
Se o seu laudo, a planilha do fornecedor ou a exigência do seu contratante ainda citam a ABNT NBR 15524, a referência está desatualizada. A ABNT cancelou essa norma em março de 2024 e a substituiu pela ABNT NBR 17150, publicada em duas partes: NBR 17150-1 e NBR 17150-2.
Vale a conferência antes de contratar ou de aceitar um documento: laudo emitido sob a norma cancelada merece revisão à luz da atual, e documento novo que ainda cite a 15524 como vigente parte de uma referência que não existe mais.
O que a NBR 17150 estabelece
A norma trata de sistemas de armazenagem estáticos de aço, com foco em inspeção, manutenção e uso seguro. Dois pontos que costumam surpreender o cliente:
- a inspeção técnica formal tem periodicidade de 12 meses — e, além dela, existem as verificações de rotina do dia a dia
- a responsabilidade pelo uso seguro é do usuário da estrutura, não só de quem vendeu ou montou
Isso muda o entendimento do serviço: não é um documento que se emite uma vez e arquiva. É um ciclo.
Quando o laudo é exigido
- Fiscalização do trabalho, especialmente quando há movimentação com empilhadeira sob a estrutura
- Exigência de cliente — operador logístico e contratante grande costumam pedir antes de fechar contrato
- Seguradora, na contratação ou renovação da apólice do galpão
- Depois de colisão de empilhadeira contra a estrutura, mesmo que o dano pareça pequeno
- Mudança de layout, de carga ou de tipo de palete
Os danos que mais causam colapso
Na prática de campo, quase todo problema grave começa pequeno:
- Montante amassado por empilhadeira. É o mais comum. Uma coluna deformada perde capacidade de carga de forma desproporcional ao tamanho aparente do dano. A tolerância é normativa, e a leitura dela é do engenheiro mecânico: é ele quem enquadra o montante como recuperável ou como caso de substituição.
- Diagonal ou travessa faltando — retirada para “passar melhor” e nunca recolocada.
- Chumbadores frouxos ou ausentes na base dos montantes.
- Longarina fora do encaixe ou sem trava de segurança.
- Sobrecarga — carga acima do previsto no projeto, ou distribuída de forma diferente da prevista.
- Piso irregular causando desaprumo da estrutura.
- Ausência de placa de capacidade de carga visível — quem opera não sabe o limite.
O que o laudo precisa conter
- identificação da estrutura, do fabricante quando disponível e da configuração instalada
- registro fotográfico dos danos, com localização precisa no galpão
- classificação da gravidade de cada dano encontrado
- indicação do que exige interdição imediata da posição, do que exige reparo programado e do que é monitoramento
- verificação de placas de capacidade de carga e de sinalização
- conclusão fundamentada e ART registrada no CREA
Laudo que apenas afirma “estrutura em conformidade”, sem registro do que foi verificado, não protege a empresa em caso de acidente — e é justamente nesse momento que o documento será lido com lupa.
O erro mais caro
É tratar a inspeção como custo pontual. A estrutura sofre impacto todo dia, e a condição dela muda ao longo do ano. Uma inspeção feita há três anos não diz nada sobre o estado atual do porta-palete — e já está dois ciclos atrasada. Num acidente, laudo vencido pode ser pior que laudo nenhum, porque demonstra que a empresa conhecia a obrigação e deixou de cumpri-la.
A sua última inspeção tem mais de 12 meses? Inspeção conforme NBR 17150, com classificação de gravidade dos danos e ART do CREA-SP. Atendimento em todo o estado de São Paulo. Fale com o engenheiro pelo WhatsApp.
Veja também: quando o laudo de ponte rolante é obrigatório, as primeiras horas depois da notificação e nossa página de inspeção e laudo de porta-palete.
Responsável técnico: engenheiro mecânico e engenheiro de segurança do trabalho, registrado no CREA-SP, com pós-graduação em perícia em engenharia mecânica em conclusão. Atendimento em todo o estado de São Paulo.